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03 de Março de 2018
O Kiss da década de 1980 ou como a banda mudou sua sonoridade para sobreviver ao mercado musical
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Não deve existir uma banda que tenha lançado discos tão diferentes em uma mesma década quanto o Kiss. Foram oito discos de estúdio e duas coletâneas, canções que tinham apelo mais pop e solos de teclados, passando por um álbum conceitual a discos com riffs pesados, solos rápidos e guitarras sintetizadas.

Foram dez anos de grandes mudanças que impactaram na história da banda, mas que hoje não é tão lembrada ou celebrada pelos fãs mais jovens – vale lembrar que a banda voltou a usar maquiagem há pouco mais de duas décadas.

Entre 1980 e 1990, o Kiss perdeu dois de seus músicos originais, teve três diferentes guitarristas solos (com estilos de distintos compor) em um período de três anos, deixou a maquiagem de lado, mudou estilo musical e viu o público minguar em shows ao redor do mundo.

Mesmo assim foram mais de 15 milhões de discos vendidos nesse período, de acordo com o quarteto de Nova York.

Em entrevista para o documentário X-Treme Clouse Up, o guitarrista e vocalista Paul Stanley, afirma que com a entrada do baterista Eric Carr, em maio de 1980, a banda foi forçada a ter uma sonoridade mais pesada.

É inegável que o estilo de Carr era diferente do baterista original, Peter Criss. Enquanto, o Criss ajudou a moldar a sonoridade Hard Rock do Kiss nos anos 1970, Carr tinha a missão de se moldar ao que o Kiss se aventurasse a fazer.

Entretanto, o primeiro álbum direcionado ao heavy metal – estilo que dominava os charts naquele início de anos 1980 – foi lançado três anos depois da entrada do segundo baterista da história do Kiss. Naquele momento, essa mudança no direcionamento musical da banda era necessária por uma questão de sobrevivência no mercado.

E o Kiss acertou em cheio. Álbuns como Creatures of The Night, Lick it Up, Animalize e Asylum mostram isso. Era possível uma sonoridade mais pesada para sobreviver aos novos tempos.

Se hoje, com uma exceção ou outra, algumas faixas soem datadas, também há clássicos absolutos como War Machine, Creatures of the Night, I Love it Loud, A Million to One, Lick it Up, Exciter, Heaven’s on Fire, Under the Gun, Thrills in the Night, King of the Mountain, Tears are Falling, só para dizer algumas.

DNA - Se apresentarem esses álbuns para alguém que conhece o Kiss somente dos álbuns dos anos 1970, é possível que essa pessoa pense que se trata de duas bandas distintas. Mas na prática era uma banda diferente. Se havia os principais compositores dos dois períodos para registrar o DNA das canções do Kiss, também haviam músicos com estilos diferentes complementando essas músicas.

Curiosamente, grande parte das canções citadas acima tem a assinatura de Paul Stanley e não do baixista, vocalista e fundador do Kiss, Gene Simmons, que estava mais atrelado a outros compromissos além da banda.

Mesmo assim, é difícil de acreditar que o mesmo compositor de A World Without a Heroes também fez War Machine. Mas também compos Somewhere Between Heaven and Hell e Burn Bich Burn.

Vídeos coloridos - Se na década anterior era difícil encontrar vídeos da banda - seja shows, clips ou entrevistas - na década de 1980 a situação mudou. Nesse período que foram lançados os primeiros home vídeos: Animalize Live Uncesored, Exposed e Crazy Nights: The Videos.

Para os fãs brasileiros daquele período ver a banda se mexendo na tela da TV era algo raro de ocorrer. Horas eram perdidas na frente da televisão analisando cada passo da coreografia dos músicos. Há casos, de fãs que esperaram por (angustiantes) semanas a oportunidade de ver um dos vídeos na loja WoodStock Discos, em São Paulo.

Se não haviam mais as máscaras dos personagens, sobravam cores nas roupas e cenários dos vídeo-clips exibidos por aqui no programa Fantástico, da TV Globo ou no Som Pop, da TV Cultura.

Passados pouco mais de 30 anos é de se pesar que hoje fãs, alguns até que conheceram a banda nessa década, não tenham acesso a material de qualidade das turnês daquele período. Mesmo com o lançamento de três boxes de DVD´s oficiais, a própria banda negligenciou (uma pequena parte) essa fase e omitiu shows realizados entre 1984 e 1986.

Calor no deserto? – Curiosamente, o último disco do Kiss daquela década, batizado de Hot in the Shade, mostra uma banda cansada e sem o mesmo entusiasmo de anos atrás. Apesar de algumas boas canções, o disco, talvez, seja um dos mais fracos daquele período.

Mais mudanças eram necessárias. Voltar as raízes e a sonoridade que consagrou o quarteto era o passo mais lógico. O disco Revenge veio para suprir essa demanda dos fãs e inaugurou um novo momento da carreira do Kiss com a entrada do baterista Eric Singer.

Talvez a morte de Carr em novembro de 1991 tenha levado toda aquela sonoridade construída ao longo daqueles dez anos. É curioso pensar que, caso, o baterista tivesse vencido a batalha contra o câncer, o resultado de Revenge seria diferente.

É inegável que o Kiss não teve em sua história uma década com tantos altos e baixos como aquela. Qualquer outra banda poderia ter sucumbido, mas não o quarteto de Nova York. 

Por Vladimir Ribeiro https://www.linkedin.com/pulse/o-kiss-da-d%C3%A9cada-de-1980-ou-como-banda-mudou-sua-em-um-ribeiro/



 
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